quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Todo e as Partes.

Estou cursando pós-graduação em Segurança no Trabalho e, como não poderia deixar de ser, a turma é composta por diversas figuras, tem o rapaz que é o comedor sempre com uma história de zona pra contar, tem o surfista, tem um que me lembra o Piteco da turma da Mônica, tem o síndico, tem um que é a cara do Rocha (o policial corrupto de Tropa de Elite II) e claro tem a “figura” (com aspas antes e após).

Para compreensão geral, a “figura” (com aspas antes e após), perece o Casagrande nas transmissões de futebol. Não pela aparência física, que está mais para um nerd virgem que iniciou a graduação em física e nem por ter enfiado a nareba nas drogas e sim por seus comentários durante o jogo, digo aulas. É impressionante, mas a cada frase proferida pelo professor a “figura” (com aspas antes e após), tece seu comentário que é muitas das vezes o óbvio.

Havia um certo tempo que Casagrande não aprontava das suas – ou eu meio que me acostumei, o que é grave – mas, na última aula, o professor explicava o conceito de engenharia de resiliência e deu um exemplo:

“Se pegarmos uma árvore e a dividirmos em folhas, caule e raiz e, depois, juntarmos tudo não teremos uma árvore. Pois “um todo é mais do que a soma das partes que o constituem”. Na árvore existe vida. Quem disse isso?”

Silêncio na sala exceto por ele, a “figura” (com aspas antes e após), que pronunciou levantando a mão:

_ Fui eu.

O professor ignorou aquele braço tremulo estendido e ávido por atenção ou apenas se acostumou, o que, também, é grave. Prosseguindo:

_ Quem disse isso?

_ Fui eu!

_ Então, quem disse isso?

_ Fui eu!!!

Não obtendo a resposta esperada por parte do restante da turma teve que se contentar com aquele simples porém cobicioso “Fui eu!”.

_ Como assim foi você?

_ O sr. perguntou e eu respondi. Fui eu que disse isso aí.

_ Rapaz, quem disse isso foi Descartes.

E seguiu com sua impalpável aula sobre engenharia de resiliência.

Doravante, obrigo-me a ater a um linguajar rebuscado para confidencia-los que: passou-se ali uma cena deveras pitoresca.

Catolicismo.

Umas duas semanas atrás minha irmã, Tânia, foi atravessar uma rua aqui em Niterói quando foi abordada por uma senhora:

_Bom dia!

_Bom dia! - respondeu ela.

_Você é católica?

_ Sou sim.

_ Nós da igreja tal, estamos promovendo o catolicismo e o nome de nossa igreja. Estamos distribuindo broches. Disse a doce senhora já fixando o adereço na blusa de minha irmã.

Tânia pensou: “vou levar isso para minha mamãe, ela vai adorar”. Claro que iria, pois nossa mãe, à medida que o tempo passa, vai ficando mais beata. Dessas que só faltam cozinhar pizzas de Ostia. Prosseguiu a amável velhinha:

_ Você poderia contribuir com alguma coisa para nossa igreja?

_ Hmm... não tenho nada aqui, saí desprovida de casa.

_ Ah, tudo bem. Disse ela retirando o broche e indo embora.