
Estou cursando pós-graduação em Segurança no Trabalho e, como não poderia deixar de ser, a turma é composta por diversas figuras, tem o rapaz que é o comedor sempre com uma história de zona pra contar, tem o surfista, tem um que me lembra o Piteco da turma da Mônica, tem o síndico, tem um que é a cara do Rocha (o policial corrupto de Tropa de Elite II) e claro tem a “figura” (com aspas antes e após).
Para compreensão geral, a “figura” (com aspas antes e após), perece o Casagrande nas transmissões de futebol. Não pela aparência física, que está mais para um nerd virgem que iniciou a graduação em física e nem por ter enfiado a nareba nas drogas e sim por seus comentários durante o jogo, digo aulas. É impressionante, mas a cada frase proferida pelo professor a “figura” (com aspas antes e após), tece seu comentário que é muitas das vezes o óbvio.
Havia um certo tempo que Casagrande não aprontava das suas – ou eu meio que me acostumei, o que é grave – mas, na última aula, o professor explicava o conceito de engenharia de resiliência e deu um exemplo:
“Se pegarmos uma árvore e a dividirmos em folhas, caule e raiz e, depois, juntarmos tudo não teremos uma árvore. Pois “um todo é mais do que a soma das partes que o constituem”. Na árvore existe vida. Quem disse isso?”
Silêncio na sala exceto por ele, a “figura” (com aspas antes e após), que pronunciou levantando a mão:
_ Fui eu.
O professor ignorou aquele braço tremulo estendido e ávido por atenção ou apenas se acostumou, o que, também, é grave. Prosseguindo:
_ Quem disse isso?
_ Fui eu!
_ Então, quem disse isso?
_ Fui eu!!!
Não obtendo a resposta esperada por parte do restante da turma teve que se contentar com aquele simples porém cobicioso “Fui eu!”.
_ Como assim foi você?
_ O sr. perguntou e eu respondi. Fui eu que disse isso aí.
_ Rapaz, quem disse isso foi Descartes.
E seguiu com sua impalpável aula sobre engenharia de resiliência.
Doravante, obrigo-me a ater a um linguajar rebuscado para confidencia-los que: passou-se ali uma cena deveras pitoresca.



